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Fórmula de Divulgação (Disclosure Formula)

O que é a fórmula de divulgação?

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Imagem do Logos para iPad

Em Discourse Grammar of the Greek New Testament: A Practical Introduction for Teaching and Exegesis, Steven Runge, estudioso residente da Logos, desenvolve o conceito de metacomentários. O metacomentário acontece “Quando o orador para de falar algo que estava falando a fim de comentar sobre aquilo que ele vai dizer, falando sobre o assunto de forma abstrata” (101)

Os exemplos que Runge apresenta são mais fáceis de entender do que a definição:

§ “Eu digo a vocês.…”
§ “Eu falo a verdade.…”
§ “Sabemos que.…”
§ “Eu peço que.…”
§ “Eu quero que você saiba que.…” (101-102)

Este último exemplo, é aquilo que os estudiosos (críticos) de forma chamam de disclosure formula, ou, fórmula de divulgação (ainda não achei uma tradução melhor). É uma forma muito utilizada na literatura grega e também muito utilizada por Paulo para introduzir algum elemento novo em uma exposição ou chamar a atenção para algo.

Veja alguns exemplos:

Rm 1.13 Porque não quero, irmãos, que ignoreis que, muitas vezes, me propus ir ter convosco (no que tenho sido, até agora, impedido), para conseguir igualmente entre vós algum fruto, como também entre os outros gentios.
Rm 11.25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios.
Gl 1.11 Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem,
1Co 10.1 Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar,
1Co 11.3 Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.
1Co 12.1 A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorante
2Co 1.8 Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida.
Fp 1.12 Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho
Cl 2.1 Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face;
1Ts 4.13 Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem,

A importância de conhecer essa fórmula é que ela tem uma função literária de introduzir um novo aspecto na discussão e um aspecto que não pode ser desprezado pelos leitores, eles não podem ignorar tal assunto. Assim, normalmente, também, esse tipo de fórmula é um indicador de início de perícope.

O conceito de metacomentário usado por Runge é um pouco menos preocupado com a forma em si e mais com a função que o texto desempenha. Ele diz que os “metacomentários são frequentemente utilizados para criar uma forma mais fraca de comando” (107).

Romanos 1.13 é um exemplo interessante, porque em algumas versões não há indicação de um novo parágrafo nesse versículo. Aliás, as Versões em português dificilmente concordam em onde começar esse parágrafo (perícope). A NTLH acerta quando começa um novo parágrafo em Rm 1.13. O ideal seria que o parágrafo fosse do 1.13 até o 1.17. Nesses versículos há também um problema de introdução de preposições onde elas não existem em algumas versões.

Resumindo, qual é a importância dessa fórmulas de divulgação ou forma específica de metacomentários? Pelo menos três: elas (1) indicam onde iniciar um novo parágrafo, (2) atribuem importância especial para o assunto introduzido e (3) apresentam uma forma mais fraca de imperativo.

Você teria uma melhor proposta de tradução para a disclosure formula?

Estude mais:
Discourse Grammar of the Greek New Testament: A Practical Introduction for Teaching and Exegesis
Artigo de Stanley Porter

Publicado originalmente em https://portugues.logos.com, em 26/11/2014

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João Paulo Thomaz de Aquino Visualizar tudo →

Mestre em Antigo Testamento pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ, 2007), mestre em Novo Testamento pelo Calvin Theological Seminary (2009) e doutor em ministério pelo CPAJ (2015), doutorando em Novo Testamento pela Trinity International University. É professor de Novo Testamento no CPAJ e ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil. É também editor dos websites http://www.issoegrego.com.br e http://yvaga.wordpress.com.

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