Quiasmo no Novo Testamento (1 Coríntios e Marcos)

receita-sanduiche-vegetariano-1Quiasmo, estrutura A-B-AI ou “estrutura sanduíche”, é uma estrutura literária semítica, comumente encontrada nas poesias hebraicas bíblicas (Salmos, Lamentações e vários livros proféticos).[1] A estrutura também é encontrada em narrativas do Antigo Testamento.[2] No livro dos Salmos há diversas estruturas quiásmicas. A do Salmo 67 é um exemplo clássico. Veja como as primeiras ideias são semelhantes às últimas e como a ideia central é destacada.

 

A Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça   resplandecer sobre nós o rosto;

para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as   nações, a tua salvação.

B Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos.
C Alegrem-se e exultem as gentes, pois julgas os povos com equidade

e guias na terra as nações.

B1 Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos.
A1 A terra deu o seu fruto, e Deus, o nosso Deus, nos   abençoa.

Abençoe-nos Deus, e todos os confins da terra o temerão.

 

Como o Novo Testamento foi escrito em sua maioria por autores judeus, é possível encontrar diversas estruturas quiásmicas também no NT. Paulo, por exemplo, em 1 Coríntios, usa esse artifício diversas vezes:

 

A   1Co 8 Comida sacrificada a ídolos

B        1Co 9 Exemplo pessoal de Paulo

A1   1Co 10 Comida sacrificada a ídolos

A   1Co 12 Dons Espirituais

B        1Co 13 Amor

A1   1Co 14 Dons Espirituais

 

No evangelho de Marcos também há diversas dessas estruturas. Uma que me chamou a atenção recentemente está em Mc 3.21-35. O versículo 21 apresenta o A. Ele nos informa que a família de Jesus (Maria e seus irmãos) saiu para prendê-lo, pois cria que ele estava fora de si. Na época, a família era responsável por cuidar dos seus próprios loucos.

Em seguida, vêm os versículos 3.22-30, que formam o B, o centro desse texto. É uma discussão de Jesus com os escribas, os quais dizem que Jesus está blasfemando e que ele está possesso de Belzebu, o maior dos demônios. Jesus responde com uma parábola: um reino, ou casa/família que luta contra si mesmo, não consegue subsistir. Só se pode roubar uma casa quando o valente da casa estiver amarrado. Dessa forma, Jesus deixou claro que o poder dele não vinha de Belzebu, mas do Espírito. Assim, atribuir obra feita pelo poder do Espírito é blasfemar contra o Espírito e esse pecado não tem perdão.

Então, vem a última parte do trecho, o A1. A casa/família de Jesus chega até ele. Lembre-se, eles saíram para prendê-lo pensando que estivesse louco. Eles chegam e mandam chamá-lo (Mc 3.31). As pessoas avisam a Jesus de que seus parentes estão lá fora à sua procura (Mc 3.32). Então Jesus diz: “Quem é minha mãe e meus irmãos? Eis minha mãe e meus irmãos [olhando para os presentes], Portanto, todo aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

O resultado dessa estrutura sanduíche é que a parábola sobre a casa dividida, do ponto de vista literário, serve tanto para escribas, quanto para a sua própria família de Jesus. Além disso, vemos que a resistência a Jesus envolvia tanto a sua família dizendo que ele era louco, quando os escribas dizendo que ele era de Belzebu. No meio dessa situação se encontram os leitores, que têm que decidir se Jesus é louco, é possesso ou tornarem-se seus irmãos, irmãs e mães fazendo a vontade do Pai, ouvindo a Jesus e aceitando-o.

Pode-se dizer que outra aplicação desse texto, diz respeito a perseguição que os verdadeiros seguidores de Jesus também estão sujeito a sofrer dentro de sua família e entre irmãos da igreja. Se o Senhor foi considerado louco e possesso, aqueles que lhe forem fiéis estarão sujeitos ao mesmo tratamento, o que lhes deverá ser uma honra e privilégio.

 

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[1] Quiasmo é “Uma sequência de componentes repetidos em ordem inversa… A repetição pode ocorrer no nível de fonemas (sons semelhantes), lexemas (palavras idênticas ou sinônimas), componentes gramaticais equivalentes (sujeito, verbo, objeto :: objeto, verbo, sujeito) ou componentes relacionados conceitualmente”. Longman, Tremper, and Peter Enns. Dictionary of the Old Testament: Wisdom, Poetry & Writings. Downers Grove, Ill: IVP Academic, 2008, 54. “Quiasmo, a forma poética hebraica por excelência, deriva seu nome da letra grega X ou “Chi” e significa uma figura retórica e temática semelhante ao paralelismo invertido, onde palavras, cláusulas, expressões, caracteres e elementos narrativos são trocados em uma inversão semelhante a que ocorre no espelho”. Rosenblatt, Jason Philip, and Joseph C. Sitterson. Not in Heaven: Coherence and Complexity in Biblical Narrative. Bloomington: Indiana Univ. Press, 1991, p. 212.

[2] Bodine afirma que “O quiasmo na narrativa hebraica pode ser usado para atrasar informação, diminuir o ritmo da linha de evento, mudar a atenção para um tópico novo ou para mudar o caráter temático. No entanto, na poesia hebraica o quiasmo reafirma, compara e contrasta visando à elaboração, ênfase ou ritmo”. Bodine, Walter Ray. Linguistics and Biblical Hebrew. Winona Lake, Ind: Eisenbrauns, 1992, p. 164

 

Ele Será Chamado Nazareno (Mateus 2.23)

Esse post aborda uma questão relacionada ao uso do Antigo Testamento pelo Novo Testamento. Mateus 2.23, falando sobre Jesus, diz: “E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno.” O problema é que nenhum profeta diz exatamente essas palavras citadas por Mateus! É claro que essa situação estranha gera dúvidas e precisa de uma explicação satisfatória.

Há três explicações mais comuns para esse uso do Antigo Testamento. A primeira é que o autor está baseado em Isaías 11.1: “Do tronco de Jessé sairá um rebento e das suas raízes, um renovo.”[1] A palavra hebraica para rebento é netser (נֵ֫צֶר), cujo som e escrita são semelhantes a palavra hebraica para Nazaré (נָצְרַת, natsarat). Como Isaías 11.1 é um texto messiânico, essa proposta se tornou uma das mais fortes com relação a Mateus 2.23. O problema, por outro lado, é que a passagem de Isaías não tem nenhuma referência ao lugar Nazaré, o que é o foco de Mateus 2.23. Outros textos proféticos que contém esse mesmo sentido são Jr 23.5; 33.15; Zc 3.8; 6.12.

A segunda explicação é que o texto está falando “Ele será chamado Nazareno” não somente no sentido de que ele terá sua proveniência da cidade de Nazaré, mas também no sentido de que ele será alguém humilhado e desprezado, mesmo sentido em que vemos em João 1:43, quando Natanael questiona: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” Assim, o que Mateus estaria dizendo é que ele veio de Nazaré, confirmando as profecias de que ele seria alguém simples, desprezado e humilhado. Quais profecias do Antigo Testamento apontam para isso? Provavelmente o melhor candidato é Isaías 53. Veja, por exemplo, o versículo 2: “Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse”.[2] Embora renovo também apareça neste versículo, a palavra não é a mesma de Isaías 11.1. Outros textos que profetizam um Messias humilde são Salmo 22.6-13 e 69.8 e diversos textos em Zacarias 9—14.

A última proposta mais comum para entender a profecia de Mateus 2.23, é relacionar a palavra Nazaré com o voto de Nazireu (נָזִיר), descrito em Números 6. A palavra significa consagrado, devoto. Em Juízes 13 lemos a história de Sansão, sobre o qual é dito: “o menino será nazireu consagrado a Deus, desde o ventre materno até ao dia de sua morte” (Jz 13.7).[3] É possível, então, que Mateus estivesse se referindo a Jesus não como um nazireu no sentido estrito, mas como alguém consagrado a Deus, um antítipo aperfeiçoado de Sansão.

Qual destas é a melhor solução?

Normalmente, quando Mateus cita um profeta ele faz a introdução no singular: “para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta” (Mateus 1.22) ou “Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias” (Mateus 2.17).[4] Mateus 2.23 é o único texto que o autor introduz com o plural “profetas”: “Assim cumpriu-se o que fora dito pelos profetas”. O resultado disso é que é possível que o autor esteja se referindo a todas as possibilidades acima e outras que ainda não conseguimos enxergar, ou não entendemos.

Essa seria a minha posição, de que Mateus está se referindo a um ensino geral que pode ser encontrado nos profetas, de que o Messias seria o renovo de Davi, alguém com uma origem humilde e seria consagrado ao Senhor desde o seu nascimento, parte dessas profecias se cumpriu no fato de ele passar um período de sua infância na cidade de Nazaré e por isso ser um nazareno.

 

Leia mais (com links para os livros)

Beale, G. K., and D. A. Carson. Commentary on the New Testament Use of the Old Testament. Grand Rapids: Baker Academic, 2007.

Osborne, Grant R.. Matthew. Grand Rapids: Zondervan, 2010, p. 101-102

Turner, David L. Matthew. Grand Rapids: Baker Academic, 2008.

France, R. T. The Gospel of Matthew. Grand Rapids: William B. Eerdmans Pub, 2007, 91-95.

Washington Roberto Nascimento, http://slideplayer.com.br/slide/47486.

 

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[1] Isaías 11.1  וְיָצָ֥א חֹ֖טֶר מִגֵּ֣זַע יִשָׁ֑י וְנֵ֖צֶר מִשָּׁרָשָׁ֥יו יִפְרֶֽה׃

[2] Isaías 53.2   וַיַּ֨עַל כַּיּוֹנֵ֜ק לְפָנָ֗יו וְכַשֹּׁ֨רֶשׁ֙ מֵאֶ֣רֶץ צִיָּ֔ה לֹא־תֹ֥אַר לוֹ֖ וְלֹ֣א הָדָ֑ר וְנִרְאֵ֥הוּ וְלֹֽא־מַרְאֶ֖ה וְנֶחְמְדֵֽהוּ׃

[3] Judges 13.7 כִּֽי־נְזִ֤יר אֱלֹהִים֙ יִהְיֶ֣ה הַנַּ֔עַר מִן־הַבֶּ֖טֶן עַד־י֥וֹם מוֹתֹֽו

[4] Veja lista de ocorrências de profeta e profetas em https://www.biblegateway.com/quicksearch/?qs_version=NVI-PT&quicksearch=profeta&begin=47&end=47.

Como escrever em grego e hebraico?

Ao escrever um trabalho exegético que use grego e hebraico você pode copiar o texto de um software bíblico como Logos, BibleWorks, OliveTree, o gratuito E-Sword, entre outros. Também é possível encontrar os textos grego e hebraico na internet. Por exemplo, a Sociedade Bíblica Alemã disponibiliza os seus principais textos online, o Novum Testamentum Graece (Nestle Alland 28a edição) e Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS). Outra opção para o texto grego é o SBL Greek New Testament, edited by Michael W. Holmes e disponibilizado gratuitamente em formato eletrônico. Em 2016 a Tyndale House também vai publicar o seu Tyndale House Edition of the Greek New Testament e disponibilizá-lo gratuitamente. O website BibleHub também oferece opções dos textos grego e hebraico. Outros textos podem ser encontrados no portal NT Gateway e Bible Researcher.

Agora, se em vez de usar Ctrl+C and Ctrl+V, você quer desenvolver a habilidade de realmente escrever em grego existem algumas opções. Antes das fontes Unicode, era necessário conseguir alguma fonte e aprender o seu mapa. A fonte que se tornou mais usada foi a criada pela BibleWorks. Essas fontes podem ser baixadas gratuitamente, juntamente com o seu mapa no site da empresa.

Com o advento das fontes Unicode, aquelas fontes comuns que tem em seu código os caracteres grego, hebraico e muitos outros, mudando apenas o estilo. Certamente esse é o melhor tipo de fontes para se usar hoje em dia, pois acaba com o problema de incompatibilidade, gerado quando se usa fontes específicas para línguas específicas. Mas, como digitar em Unicode?

Existem pelo menos duas possibilidades. Uma é usar teclados virtuais da Internet para Grego e Hebraico. Uma última opção, usada por muitos estudiosos de teologia exegética é o Free Tyndale Unicode Font Kit, que instala em seu computador, PC ou Mac, teclados específicos para digitar em Grego e Hebraico, bem como oferecer um mapa dos caracteres e instruções de uso.

Mantenha o seu Grego – Con Campbell

Contantine Campbell é um estudioso do Novo Testamento com ênfase na língua grega, mais especificamente, aspecto verbal. Con Campbell foi professor no Moore Colege, Austrália, e desde 2014 é professor no Trinity Evangelical Divinity School.

Nesse livreto, Campbell dá dicas a pastores e estudiosos de como manter o seu grego em meio às diversas demandas do ministério. As dicas são as seguintes:

(1) Leia todos os dias: ainda que seja somente um pouquinho, mas leia todos os dias em vez de um monte de vez em quando.

(2) “Queime seu interlinear”. Interlinear é aquela ferramenta, de papel ou eletrônica, que te dá toda a conjugação e tradução do grego sem precisar pensar. A ideia é, enquanto você depender dessas ferramentas, você nunca vai aprender a ler de maneira mais fluente e sem elas.

(3) Use os softwares com sabedoria: “Se você é disciplinado, vá em frente e use o software para a sua leitura do grego. Mas se você não não consegue não se enganar [e ficar olhando as informações de tradução], então, feche o seu notebook e pegue o seu Novo Testamento de papel, se é que você vai encontrar algum” (p. 30).

(4) Tranforme o vocabulário em um amigo: Decore palavras, estude a sua relevância, faça associações esdrúxulas entre as palavras gregas e coisas que te ajudarão a lembrar de seu significado.

(5) Pratique a sua conjugação (análise morfológica). Não precisa ser perfeita, não precisa saber todos os detalhes no começo. Detecte verbos, reconheça substantivos, use o contexto para te ajudar a saber qual é o tempo, modo e pessoa do verbo ou o caso do substantivo. Tente sozinho.

(6) Leia Rápido (Skimming): Mesmo sem entender. Leia um parágrafo do texto grego. Passe os olhos por cima da passagem várias vezes para ver quais palavras você reconhece, tente ter uma ideia geral do que o texto está falando.

(7) Leia Devagar: Alterne a prática da leitura rápida com uma leitura vagarosa e batsante atenta que vise exrair o máximo de cada cláusula do texto.

(8) Use seus sentidos, “Grego é um idioma, não somente palavras em uma página” (66): Leia em voz alta, almejando ler como se lê um texto de verdade, ouça a si mesmo e a outros, crie músicas para te ajudar a memorizar aspectos gramaticais, vocabulário e textos e escreva em grego.

Lembre-se que “ressuscitar” seu grego será mais fácil do que foi aprendê-lo pela primeira vez. Use websites e ferramentas que possam te ajudar. Honre a Deus usando aquilo que ele te deu oportunidade de aprender. Ore a respeito do assunto e crie um padrão (agenda) que te ajude a manter seus estudos da língua grega.

Como última dica: use bastante o Isso é Grego… Ok, essa não está no livro do Dr. Campbell, mas vale a pena!

Compendio de grammatica da lingua grega: para uso das escholas do Reino de Antonio Ignacio Coelho de Moraes

imageEstudando a voz média grega (em breve publicarei o post), encontrei hoje essa gramática grega que se encontra inteira no Google Books. Sobre essa obra, assim escreve Carlos Morais, em artigo muito interessante sobre a história do ensino de Grego em Portugal:

A feliz circunstância que juntou em Coimbra alguns distintos professores de Grego, conjugada com o aumento de interesse que nesta cidade houve pelo estudo desta língua, sobretudo em 1829 e 1830, mercê de reformas entretanto introduzidas no ensino, criou uma atmosfera propícia à renovação dos manuais escolares, considerada necessária, como vimos, por forma a que ficassem adequados às exigências pedagógicas do momento. Assim, António Ignácio Coelho de Moraes (1805- ?) fez publicar, em 1833, na Real Imprensa da Universidade de Coimbra, por aviso régio de 27 de Julho de 1832, o Compêndio da Grammatica da Lingua Grega para uso das Escholas do Reino que, reimpresso no ano seguinte, viria a substituir oficialmente o Epitome de Magalhães.

Veja a Gramática: http://books.google.com/books?id=rgrDyAYjLKgC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false

Interpretação Teológica das Escrituras e livro Trinity, Revelation, and Reading: A Theological Introduction to the Bible and its Interpretation de Scott R. Swain

IMG_0102.JPGPor incrível que pareça, uma das novidades hermenêuticas de nossa época é chamada Interpretação Teológica das Escrituras. Esse “movimento” é uma reação contra a interpretação histórico-crítica das Escrituras, que, com todos os seus métodos “científicos”, trouxe poucos frutos proveitosos à igreja de Cristo (aqui não estou desprezando o valor da identificação de certas formas literárias, conscientização de aspectos redacionais por parte de diferentes autores bíblicos, entre outras contribuições).

Assim, teólogos sistemáticos e bíblicos passaram a repensar qual é o papel da Bíblia como Escritura. A Interpretação Teológica das Escrituras (Theological Interpretation of Scripture – TIS) é uma reação à afirmação de que a Bíblia deve ser lida como qualquer outro livro. Em suma, para se fazer justiça a Bíblia, deve-se lê-la da de acordo com os termos que ela mesma apresenta, ou seja, sua teologia. Outra maneira de abordar o assunto, é dizer que novamente estamos lidando com o círculo hermenêutico: interpretação > teologia > interpretação. Ou para colocar de forma infantil: quem nasceu primeiro, a interpretação da Bíblia ou a teologia? Veja mais sobre a TIS em http://www.theopedia.com/Theological_interpretation_of_Scripture.

É possível dizer que um dos pais desse “movimento” foi Brevard Childs com sua ênfase na Bíblia como Escritura. Outro defensor de peso é Kevin Vanhoozer. Um crítico do movimento é D. A. Carson que afirma que o movimento traz algumas boas ênfases, que são antigas, e aquilo que tem de novo varia de ambíguo para errado, dependendo do estudioso que a defende (http://www.thegospelcoalition.org/article/carson-tis).

Vanhoozer afirma que a TIS “é caracterizada por um interesse principal em Deus, no munndo e nas obras de Deus, e por uma intenção principal de engajar naquilo que poderíamos chamar de ‘crítica teológica’”. Allison por sua vez, define da seguinte forma: “TIS é uma família de abordagens interpretativas que privilegia leituras teológicas da Bíblia em um devido reconhecimento da natureza teológica das Escrituras, sua mensagem teológica última e/ou interesse teológico de seus leitores”.

Scott Swain, autor do livro do qual extraímos as citações abaixo, é Deão e professor de Teologia Sistemática no Reformed Theological Seminary (Orlando) é um dos importantes promotores desse movimento, sendo inclusive editor de uma série de comentários bíblicos com essa abordagem.

Tenho a impressão de que para vários estudantes de teologia do Brasil, especialmente falando daqueles que estudam ou estudaram em instituições evangélicas conservadoras, várias dessas ideias soarão familiares.

Apresento as citações em inglês pela falta de tempo. Caso não entenda, use o Google Translator (http://translate.google.com.br).

Because biblical interpretation is one dimension of the relationship between God and humanity, sin and redemption, the individual and the church, we cannot properly understand biblical interpretation without considering these topics as well. (p. 2)

Covenant is one of the most important means whereby the triune God communicate his life to us and whereby we hold communion with him. (p. 7)

The central thesis of this book is that we may best appreciate the theological significance of the Bible and biblical interpretation if we understand these two themes in a trinitarian, covenantal context. (p. 7)

In dealing with the Bible interpretively, we are not rational subjects dealing with an inert object; we are instead rational subjects addressed by the divine Subject and called to loving attention and fellowship. (p. 7)

Spiritual reading is an act of “covenant mutuality.” (p. 9)

Biblical interpretation is the work of those who have not yet reached their homeland, not of those who have arrived. As a work of theological pilgrims, therefore, biblical interpretation is a dependent and humble work, pursued not with self-confidence but with confidence in the God who so graciously reveals himself to us in Jesus Christ and who has appointed various means, both personal and corporate, for assisting readers of his Holy Word until we reach the place where reading is replaced by face-to-face communication and communion with the triune God (cf. Rev. 22.1). (p. 9-10)

God’s covenants house a rich variety of words. When speaking to his people, God pronounces judgement and proclaims his name. He makes promises and issues commands. Philosophers of language call these various types of communication “speech acts” for being speaking a speaker not only conveys information, he also performs a host of actions. (P. 41)

The need to put God’s word into writing arises from the unlimited scope of the triune God’s sovereign purpose to manifest his glory through space and time coupled with the mortal limitations of God’s authorized speech agents, his prophets and apostles. (p. 53)

The Bible is “the divinely authorized literary means whereby the living God continually speaks to his people”. (p. 55)

Swain affirms that “Scripture transmits the discourse of the covenant by communicating the discourse of the covenant”. His propose is very specific. He compares the parts of the treaties of the Ancient Near Eastern: name of the king, historical review of its kindness toward the vassals, stipulations, and blessings and curses and affirms that is fits to the general genres we have in Scripture: narrative, legal discourse, prophecy with its oracles of judgement and salvation and the book of revelation containing a final oracle of salvation and judgement. (p. 58-59)

The meaning of a given passage of Scripture becomes clear in the context of the overarching teaching of Scripture as a whole. This is because the Bible is ultimately one book, written by one author (God), concerning one central subject (Christ and covenant), serving one central purpose (the love of God and neighbor). The present point has numerous implications. (p.91)

Because the New Testament proclaims the full flowering of God’s redemptive purpose in Christ, we should not seek a vantage point beyond the New Testament—whether in church tradition, another holy book, or supposed cultural progress—to shed further light upon biblical teaching. (p. 91)

A profitable understanding of scriptural teaching is possible only by the Spirit’s illuminating power. (p. 92)

The Lord gathers, nourishes, defends, and guides his people through this book; and his people assemble around, feed upon, find shelter in, and follow after the words of this book. (p. 95)

The awakening of spiritual organs of perception and taste is essential to a profitable reading of Scripture. (97)

The Spirit who enables and sustains our reading of Holy Scripture also provides a community to aid us in our reading. Renewed reading comes alive and is cultivated in the context of a renewed covenant community, the church. (99-100) By way of summary, then, the church is that community created and authorized by the Word of God in order that it might obediently guard, discern, proclaim, and interpret the Word of God. (102)

Alongside and in service of these avenues for receiving and spreading the Word of God, the Spirit also sets apart certain individuals within the church to serve as publicly authorized ministers of scriptural teaching (102) The teacher in Christ’s church thus exhibits a brotherly exercise of authority when he shows “the reasons and bases of his interpretation so clearly and certainly that also others who themselves do not have the gift of interpretation may be able to understand and grasp them. (104)

Historically, the church has acknowledged two servants as particularly trustworthy aids when it comes to interpreting the Bible: “the rule of faith” and “the rule of love.” (105)

Reading Scripture in light of the rule of faith thus involves reading Scripture from within the context of our trinitarian faith, aided by the church’s good confession, for the sake of the church’s continuing growth in this trinitarian faith. To read Scripture in any other way is to read against the grain of its authority. (113-114)

The rule of love is closely related to the rule of faith. Whereas the latter summarizes the main contours of biblical doctrine (that which is to be believed), the former summarizes the main contours of biblical law (that which is to be done) (114).

Indeed, the failure to orient our interpretive actions and ends to the love of God and neighbor must be regarded as a fundamental failure in biblical interpretation. (117)

We may not therefore assume that we have understood any text of the Bible properly until we have considered how it pertains “to Jesus Christ and his messianic dominion.” 129

As a mode of theological reasoning, biblical interpretation is concerned directly and specifically with the textual mediation of God’s self-revelation in the sacred writings of his authorized emissaries, the prophets and apostles. Whether the object of concern is the sacred writings taken as a whole, as in dogmatics, or with the sacred writings in their distinctive portions and places (cf. Heb. 1.1), as in biblical commentary, the interpreter acknowledges that the Bible affords us with an embarrassment of riches and is therefore devoted to identifying and appreciating each treasure of Holy Scripture in its distinctive beauty and worth, attending to the particular words of particular texts in their particular historical and literary settings in order to provide a faithful representation of their particular message. (137)

Lendo os Evangelhos com Sabedoria

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Acabei de ler Reading the Gospels Wisely: A Narrative and Theological Introduction [Lendo os evangelhos com sabedoria: Uma Introdução Narrativa e Teológica] do autor John Pennington. Com um PhD na Universidade de St. Andrews, Pennington é atualmente professor no Southern Baptist Theological Seminary in Louisville. Seria ótimo se o livro fosse traduzido e publicado em Português. Eis algumas das teses principais do mesmo:

– Os quatro evangelhos deveriam ser lidos como se fossem um só evangelho quádruplo.
– Esse tetraeuangelium deveria ser a base sobre a qual nós lemos toda a Bíblia.
– Uma leitura vertical dos evangelhos (cada um em sua integridade própria) deve ser preferida a uma leitura horizontal (harmonia dos evangelhos e crítica da redação, também chamada de leitura sinótica).
– É possível e desejável extrair mais do que somente proposições das histórias dos evangelhos e suas perícopes tem mais do que um único significado.
– Além de aprender proposições, a forma correta de ler os evangelhos implica em emular os bons exemplos e evitar repetir os erros dos personagens.
– O melhor método de leitura dos evangelhos deve ser um consciente da estrutura narrativa e que aplique uma abordagem metodológica holística.
– Os evangelhos são historicamente confiáveis e, ainda assim, são interpretações particulares da história.

Site do livro: http://readingwisely.com
Site do autor: http://jonathanpennington.com
Comprar Kindle Book na Amazon: http://www.amazon.com/gp/product/B0090NUPO4?btkr=1

Markus Bockmuehl

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Com esse post damos início a uma nova série em nosso website, sobre os atuais desenvolvimentos dos estudos do Novo Testamento. Às vezes apresentaremos um estudioso, outras, os últimos desenvolvimentos de algum assunto em pauta nas discussões neotestamentárias.

Dr. Bockmuehl nasceu em 1961 e é professor de Novo Testamento na Universidade de Oxford (Keble College). Suas áreas de especialização incluem o Judaísmo do Segundo Templo, seus documentos e a influência deles no Novo Testamento; a história do Novo Testamento (Jesus histórico, Pedro) e análises sobre o estado dos estudos neotestamentários. Ele também escreveu sobre a carta de Paulo aos Filipenses e sobre o livro de Apocalipse.

Seguem abaixo diversos websites com conteúdo relacionado ao Dr. Bockmuehl. No primeiro, a rede social Academia.edu, é possível encontrar alguns artigos escritos por ele. O último link contém vídeos de uma palestra ministrada no Wheaton College.

Academica.edu: https://oxford.academia.edu/MarkusBockmuehl
Página na Oxford University: http://www.theology.ox.ac.uk/people/staff-list/prof-markus-bockmuehl.html
Página no Keble College: http://www.keble.ox.ac.uk/academics/about/professor-markus-bockmuehl
Site com conteúdo de aulas: https://sites.google.com/site/kebletheologytutorials/
Artigo: http://www.biblesociety.org.uk/uploads/content/bible_in_transmission/files/2013_winter/BiT_Winter_2013_Bockmuehl.pdf
Artigo: http://www.e-ccet.org/wp/wp-content/uploads/2012/03/Bockmuehl_Commentary2.pdf
Livros: http://www.goodreads.com/author/show/172799.Markus_Bockmuehl
Livros:https://www.google.com.br/search?q=Markus+Bockmuehl&btnG=Pesquisar+livros&tbm=bks&tbo=1&hl=pt-BR&gws_rd=ssl#hl=pt-BR&tbm=bks&q=Markus+Bockmuehl
Livros: http://www.amazon.com/s?ie=UTF8&page=1&rh=n%3A283155%2Cp_27%3AMarkus%20Bockmuehl
Recursos Online: http://www.theologyethics.com/2011/09/24/markus-bockmuehl-online-resources/
Vídeos: http://www.wheaton.edu/WETN/All-Media?p=Markus%20Bockmuehl