As Sinagogas e o Novo Testamento

É muito difícil limitar a importância das sinagogas para o mundo do Novo Testamento e posterior cristianismo. Parte do momentum criado por Deus chamado por Paulo de plenitude do tempo (Gl 4.4), as sinagogas foram fundamentais na preparação do mundo antigo para a chegada do evangelho, ao espalhar e preservar a cultura judaica em diversos lugares, bem como para a ação missionária dos primeiros apóstolos que concentravam suas primierias pregações exatamente nas sinagogas.

Quando pesquisamos o Novo Testamento em busca de informações sobre a sinagoga, encontramos o seguinte. A principal atividade praticada na sinagoga era a leitura das Escrituras e o ensino delas. Jesus ensinou várias vezes nas sinagogas da Galiléia e Judéia (Mt 4.23; 9.35; 13.54; Mc 1.21, 39; 6.2; Lc 4.15, 44; 6.6; Jo 6.59; 18.20) e Paulo assim que chegava em uma cidade logo procurava a sinagoga do lugar para poder apresentar Jesus (At 9.20; 13.5; 13.14-43; 14.1; 17.1-3, 10, 17; 18.4, 19; 19.8). Apolo também é apresentado pregando em uma sinagoga (At 18.26). Em Atos 15.21, Tiago fala sobre a sinagoga dizendo: “Porque Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados”. Além de ensino, vemos nas páginas do Novo Testamento que na sinagoga também havia comunhão (Mt 6.2) e oração (Mt 6.5). Nas páginas do NT não encontramos cânticos nas sinagogas.

Quanto à sua estrutura, as sinagogas tinham os seus chefes (ἀρχισυναγώγων, Mt 9.18; Mc 5.22, 35-36, 38; Lc 8.41, 49; 13.14; At 18.8, 17), bem como assistentes (ὑπηρέτης) que auxiliavam com os livros durante a reunião (Lc 4.20). Na organização interna das sinagogas havia cadeiras que eram consideradas como sendo de maior honra do que outras e Jesus critica aqueles que procuravam se assentar nelas (Mt 23.6; Mc 12.39; Lc 11.43; 20.46). As sinagogas por vezes eram construídas como uma forma de beneficência para o povo judeu, como no caso do centurião que construiu uma sinagoga para os judeus (Lc 7.5).

Assim como vemos no ministério de Paulo, havia sinagogas espalhadas em diversos lugares do império romano e mesmo em Israel também havia sinagogas, que uniam pessoas por algum tipo de afinidade (At 6.9). As sinagogas que ficavam em outros lugares, parece, que funcionavam por vezes como uma espécie de embaixada dos judeus naquela região (At 9.2). À priori os cristãos se reuniam em sinagogas junto com os judeus, antes de sua conversão, Paulo ia nas sinagogas com o objetivo de prender os judeus convertidos (At 22.19; 26.11). Tiago, ao escrever para os cristãos, chama a sua reunião de sinagoga (Tg 2.2). Pelo testemunho de João, descobrimos que havia processos de expulsão da sinagoga e os judeus da época de Jesus ameaçaram de expulsão aqueles que passassem a crer nele (Jo 9.22; 12.42; 16.2) o que, pela ênfase de João no assunto, parece ser um problema também em sua época.

As sinagogas foram local importante do ministério de ensino de Jesus (Mt 4.23; 9.35; 13.54; Mc 1.21, 39; 6.2; Lc 4.15, 44; 6.6; Jo 6.59; 18.20), que, além de ensinar, também curou (Mt 12.9-14; Mc 3.1-6; Lc 6.6-11; 13.10-17) e expulsou demônio de pessoas dentro de sinagogas (Mc 1.23-27; Lc 4.33-38). O Novo Testamento fala sobre sinagogas que haviam se pervertido ao ponto de se transformar em sinagogas de Satanás (Ap 2.9; 3.9).

Finalmente, temos alguma evidência no Novo Testamento sobre parte da ordem dos eventos na sinagoga. Em Lucas 4.16-30, texto do chamado manifesto de Nazaré, vemos Jesus agir de acordo com a seguinte ordem:

 

  1. Entra na sinagoga
  2. Levanta-se para ler
  3. Lê o profeta Isaías
  4. Fecha o livro
  5. Devolve ao assistente (ὑπηρέτῃ)
  6. Assenta-se
  7. Começa a explicar o texto

 

Além do Novo Testamento, existem outras fontes para o estudo das sinagogas judaicas no primeiro século como textos judaicos, inscrições antigas como a Inscrição Teódotos e escritos gregos antigos. Certamente o estudo dessas fontes poderá gerar ricos frutos para compreendermos melhor a instituição e o as atividades que aconteciam na sinagoga, que certamente influenciaram a igreja primitiva.

 

 

Contexto Histórico Dica Exegética

João Paulo Thomaz de Aquino Visualizar tudo →

Olá, meu nome é João Paulo e é um prazer recebê-lo em meu blog. Sou pastor da Igreja Presbiteriana JMC, em Jandira-SP. Também sou professor de Novo Testamento no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper e no Seminário Teológico Presbiteriano JMC. Meu currículo inclui: Doutor em Novo Testamento pela Trinity International University (2019), Doutor em Ministério pelo Centro Presbiteriano de Pós Graduação Andrew Jumper / Reformed Theological Seminary (2014), Mestre em Antigo Testamento pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ, 2007), mestre em Novo Testamento pelo Calvin Theological Seminary (2009) e bacharel em Telogia pelo JMC (2002) e pela Universidade Mackenzie. SDG.

2 comentários Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: