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Academia em Debate: Interpretação Bíblica

Dr. Augustus Nicodemus entrevista João Alves dos Santos e João Paulo Thomaz de Aquino sobre a interpretação da Bíblia.

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João Paulo Thomaz de Aquino Visualizar tudo →

Mestre em Antigo Testamento pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ, 2007), mestre em Novo Testamento pelo Calvin Theological Seminary (2009) e doutor em ministério pelo CPAJ (2015), doutorando em Novo Testamento pela Trinity International University. É professor de Novo Testamento no CPAJ e ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil. É também editor dos websites http://www.issoegrego.com.br e http://yvaga.wordpress.com.

2 comentários Deixe um comentário

  1. A pergunta do entrevistador foi de grande importância e básica: as várias interpretações da Bíblia dentro das igrejas protestantes. Ora, pensemos; Cristo jamais nos deixaria ao leo sem saber qual a interpretação correta. Ele certamente deixaria uma só autoridade para se pronunciar sobre este assunto. Que me desculpem os que tem outra visão, mas, a verdade deve ser dita e uma análise lógica e histórica do assunto mostra claramente a autoridade da Igreja Católica como intérprete autêntica das Escrituras, podendo ela manifestar-se “toto pondere authoritatis suae” (com todo o peso de sua autoridade).

    • Caro Carlos, muito obrigado por seu comentário aqui e por levantar um assunto tão importante quanto esse. A sua argumentação é bem feita e eu o parabenizo por ela. Vamos levantar alguns pontos, na esperança que que possamos esclarecer e chegar à verdade em diálogo, respeito e para a glória de Deus e alegria dos que estão em Cristo.

      A Reforma Protestante teve início exatamente porque não havia na Igreja de então uma submissão à Palavra de Deus, tendo sido inseridas muitas inovações não bíblicas no culto e na vida cristã, bem como regras de fé que não constavam das Santas Escrituras. Dessa forma, a Reforma surgiu clamando SOLA SCRIPTURA, ou seja, nenhuma autoridade senão a própria revelação especial de Deus.

      Tanto naquela época quando hoje em dia, é possível falar de “catolicismos romanos”, posto que a Igreja Católica não é monolítica nem em sua fé, nem em sua prática. Mesmo nos documentos oficiais da Igreja Católica houve mudanças na interpretação de textos. Em suma, do ponto de vista histórico, é impossível assegurar que a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) é a única e fiel intérprete das Escrituras. A posição protestante, assume que somente as Escrituras são a única e fiel intérpretes de si mesmas. E nós, humildemente, tentamos captar o significado da Palavra usando de todas as ferramentas possíveis que nos permitam extrair delas regras de fé e de prática.

      Assim, de acordo com isso, do ponto de vista das próprias Escrituras também não é possível justificar a ICAR como a única intérprete autorizada das Escrituras Sagradas. Os textos das Escrituras (aqui estou considerando aqueles que tanto católicos quanto protestantes consideram realmente canônicos), foram escritos em situações reais, para comunidades eclesiásticas reais que viviam no tempo e no espaço. Tais comunidades (por ex. igrejas da Galácia, ou igrejas da Ásia Menor) reconheceram a característica intrínseca daqueles textos como Palavra de Deus e os interpretaram como tais e copiaram como tais, enviando a outras igrejas, que também assim o fizeram.

      Foi dessa forma que a Verdade de Deus se espalhou. Comunidades locais recebiam a palavra e a interpretavam. Quando havia um problema de interpretação, o mesmo era resolvido na pluralidade de um concílio de presbíteros (Atos 15). É assim que surgiram muitas heresias no começo da história da igreja (e ao longo da mesma continuam a surgir) e foi por meio de concílios (pares entre pares) que os problemas foram sendo resolvidos. Novamente, não por um grupo monolítico e autoritário, mas na diversidade de comunidades e presbíteros (docentes e regentes) visando a melhor interpretação das Escrituras, colocando-se abaixo delas.

      Quando a igreja se confundiu com o Estado, tornando-se Romana, outras forças começaram a operar dentro dela e cada vez mais a Palavra deixou de ser a regra e o poder foi sendo concentrado. Não na diversidade de apóstolos (como era no Novo Testamento, exclusivamente), nem da pluralidade de presbíteros (pastores e bispos). Livros não canônicos passaram a ser aceitos como base para doutrinas, doutrinas não bíblicas passaram a ser cada vez mais inseridas no Corpo, o bispo de Roma tomou a primazia sobre os demais, outros mediadores que não o Senhor Jesus Cristo foram senso inseridos, a salvação gratuita passou a ser vendida, o purgatório foi inventado e as qualidades morais e espirituais da igreja (enquanto instituição) foram se deteriorando (com honrosas excessões entre homens e mulheres que se mantinham puros na fé e na prática ao longo dos séculos). Tudo isso eclodiu na Reforma Protestante do Séc. XVI que bradou: Somente as Escrituras (como fonte de autoridade), Somente a Graça (como razão da salvação), Somente a Fé (como meio de salvação), Somente Cristo (como mediador), Somente Glória a Deus (como razão da vida).

      Assim, Carlos, embora admita a vergonha protestante do divisionismo endêmico (que também existe “dentro” do catolicismo) juntamente com erros históricos de prática e de fé, busco de dentro de minha denominação (Presbiteriana) viver unidade com cristãos de outras denominações, desde que seja uma unidade chancelada pela Palavra (interpretada com as mais diversas ferramentas de interpretação usadas ao longo dos séculos e cujos resultados são mais unos do que parece), em Cristo (misticamente unidos) e para a Glória de Deus, tudo pela graça (a salvação pertence ao Senhor) mediante a fé (dom de Deus).

      Novamente, obrigado demais pela sua participação aqui.

      Em Cristo,

      João Paulo Thomaz de Aquino

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